Na estrada que me levava à bucólica
vila do interior da Toscana, o trajeto sinuoso pelos Apeninos parecia me
transportar a cada quilometro a um tempo mais distante.
As vinhas em flor transbordavam de
suas fileiras e se punham a espreitar os que passavam, se esparramando pelos
acostamentos e pelas encostas próximas ao asfalto destoante, como uma paisagem
dos anos trinta. As construções mostravam orgulhosas o estilo de séculos idos
com aquela rusticidade própria e requintada. Até a luz do sol era cúmplice desse
passado tão presente. Era de um dourado antigo, como uma pátina cuidadosamente
aplicada em torno daquela paisagem.
Quando cheguei àquela cidadezinha
fui direto à velha estação de trens. Meu objetivo era muito claro e nem a fome
que começava a dar seus sinais ia me desviar dele. Como na infância, aquele
tempo em que gostamos de bancar espiões mirins, eu ia tentar desvendar um
mistério que datava de três gerações.
