Meu desejo de
voltar às cidades históricas de Minas vinha de longa data. A riqueza do barroco
traduzida na arte sacra das naves e altares da região; aquele clima de passado
tão presente nas áreas tombadas e nos monumentos restaurados; a beleza das
gemas brasileiras transformadas em arte por criativos designers de jóias; tudo
é um convite a um deleite estético inenarrável.
Surgiu-me a chance
de passar por lá em meio a uma viagem de trabalho. Seriam três dias durante um
fim de semana prolongado.
Pela janela da pousada
onde me hospedei via uma pracinha acolhedora. Um recanto onde os moradores
passam por tradição e os turistas por prazer, e que conseguia sintetizar a
atmosfera local. A cafeteria da praça exalava um aroma de café da fazenda que se
entranhava nas casas de estilo colonial mineiro, condensando décadas de
história num cenário de oitenta metros quadrados.
O movimento da
pracinha tinha seu ritmo próprio. Tudo ali parecia se inserir numa dimensão à
parte. Como um hiato no tempo e no espaço onde todos se encaixam perfeitamente,
esquecendo-se de que o mundo segue em paralelo fora dali.
